08 junho 2019

O cão, o bebé e nós - Parte I

 Este foi um tema que alguns seguidores do Instagram me pediram ao longo dos últimos meses em que fui partilhando esta jornada tão bela que é a gravidez. Fui adiando porque achei que não fazia sentido escrever já sobre este tema pois o bebé ainda não chegou. Por outro lado, a ideia de o dividir em duas partes (o antes e o depois do Pedro) começou a fazer algum sentido e aqui estou eu a partilhar com vocês a nossa experiência. Os temas que dizem respeito à maternidade são sempre escritos com muita cautela, não quero passar a imagem que sei tudo, que faço tudo da forma mais correcta ou que somos os melhores pais, vamos ter o melhor bebé e temos o melhor cão do Universo.

 Mas posso relatar a experiência que temos vindo a ter e isso pode servir de motivação para algumas pessoas porque sabemos, por experiência própria, que os relatos são muitas vezes assustadores. Não vos vou dizer nunca "têm que fazer assim" ou "assim é que é a maneira correcta", vou dar dicas do que tem corrido bem connosco. Nesta primeira parte vou abordar a nossa experiência com o Eddie na fase de preparação para a chegada do bebé e como temos lidado com ele. Num futuro próximo, pretendemos escrever sobre a segunda parte, a prova dos nove por assim dizer.


 Eu entendo que muitas pessoas me pediram opinião porque, regra geral, as pessoas tendem a opinar e a assustar os futuros pais e as pessoas que pensam um dia em serem pais devido aos seus animais de estimação. Muitas dessas pessoas nem sequer têm animais para poderem perceber tudo o que envolve uma relação familiar com o animal de estimação. Sem esse conhecimento nenhuma opinião é válida.


 Vou já de seguida relatar a nossa experiência e a relação que temos com o Eddie e todas as dicas que achamos serem uma mais-valia.


 O Eddie entrou nas nossas vidas precisamente no dia em que formámos a nossa família, o nosso casamento. Para além de ser membro da família desde esse dia é também considerado por nós como um filho. Digo-o sem pudores ou com receio de retaliação. O Eddie é um filho para mim e para o meu marido e é tratado como tal. Tem mimo a mais? Tem. Estamos preocupados com o que as pessoas pensam sobre isso? Não.
 Digo muitas vezes que para Jack Russell Terrier o Eddie é bastante calmo e não podemos julgar todos os cães pela raça que apresentam ou pela falta dela. Nunca me destruiu nada em casa, só fez chichis e cocós em casa até aos 5/6 meses sensivelmente e criou os seus hábitos como qualquer animal. Fomos com ele a algumas aulas de treino mas acabámos por desistir porque percebemos que ninguém conhece melhor os seus animais como os seus donos e o Eddie reagia melhor aos nossos ensinamentos do que de qualquer treinador. Senta quando ele quer, sabe dizer quando tem fome, sabe avisar quando está aflito para ir à rua e não faz qualquer necessidade dentro de casa e a única coisa que faz no quintal é o primeiro chichi da manhã. Para nós chega, está perfeito assim.


 O Eddie sabe desde o primeiro dia que vai ter um irmãozinho, mesmo antes dos avós ou tios saberem. Quando começámos a partilhar a notícia que íamos ser pais logo surgiram os primeiros comentários por parte de algumas pessoas:

- "Ai como será que ele vai reagir?"
- "Ele vai ter ciúmes do bebé"
- "Vai estragar os brinquedos dele e os do bebé."
E a minha preferida:
-" Vai atacar o bebé quando vocês não estiverem a ver."

 Ora bem, tanto para dizer sobre estes bitaites que toda a gente dá sem ninguém pedir. Estamos, portanto, a criar uma máquina de guerra de dentes afiados e com menos de 9kg que ataca pequenos seres indefesos à primeira oportunidade. Por isto, eu deveria colocar o cão a dormir no quintal debaixo de sol de 40º ou de chuva intensa.

 O Eddie sempre viu TODAS as ecografias, TODAS as roupas e TODOS os peluches que iam compondo o enxoval do bebé. Fizemos questão de lhe mostrar e de falar com ele porque apesar de ele não ser o cão mais bem treinado à face da terra tem uma inteligência que nos deixa surpreendidos.

 Sendo amante de peluches e brinquedos, sempre dissemos que os peluches são do Pedro e ele não pode mexer. Estão ao alcance dele e ele não toca, só cheira. E é importante essa ligação com o espaço do bebé e com os seus pertences. Para mim faz todo o sentido que o animal tenha acesso ao espaço, como sempre teve, e não haja uma privação da liberdade de entrar e sair sempre que queira. Por isso o Eddie tem acesso ao quarto do Pedro, a porta está sempre entre-aberta, e pode cheirar tudo aquilo que ele queira.

 Outra coisa que considero essencial é que as rotinas do animal não sejam alteradas, nem antes nem depois do parto. Apesar de as mesmas sofrerem alterações para todos os membros da família os animais são os que menos percebem a razão. Existe a hora da refeição, a hora dos passeios, a hora da brincadeira e continuará a existir. Também o bebé tem que se habituar à presença e rotinas do cão.
 Se essas rotinas forem quebradas eles sentem que tudo mudou e podem ficar muito confusos e tristes.

 Ao contrário do que muitas pessoas pensam, os animais sentem e há coisas que não precisam de ser explicadas. O Eddie há muito que sente o Pedro na barriga e simplesmente deixou de passar por cima da minha barriga sem ser necessário eu avisá-lo. Encosta o seu focinho na barriga e é uma forma de estabelecer laços com o pequeno irmãozinho que ainda está na barriga. Eles sentem a energia um do outro e por isso é bom ver este envolvimento.


 Quando estiver no hospital eu sei que ele vai sentir a minha falta e o regresso a casa será um misto de emoções para todos. À medida que o Pai for trazendo as roupinhas sujas do bebé é importante que ele cheire e aprenda para reconhecer o cheiro mal cheguemos a casa. Não vamos proibir de cheirar o bebé. Eles sentem muito a nossa energia e se demonstrarmos medo ou insegurança eles percebem que há algo de errado e também o seu comportamento não é o mais correcto.

 O amor tem a capacidade de se multiplicar e aquele que temos pelo Eddie não irá ficar afectado por nascer o nosso bebé. É e continuará a ser o nosso filho e Pedro tem a sorte de ter um irmão patudo que é a coisa mais doce do mundo!
 Quando as pessoas fazem comentários depreciativos esquecem-se que quem melhor conhece os seus animais de estimação são os donos e se algo correr menos bem somos nós que sabemos como vamos reagir e equilibrar o ambiente familiar.
 Existe um conjunto de factores que determina o sucesso da chegada do novo membro mas o mais importante é que temos que saber respeitar a individualidade e a personalidade de cada um: Pai, Mãe, bebé e patudo. Esse respeito gera equilíbrio e o equilíbrio gera felicidade e harmonia.

 Este é o meu testemunho e o maior conselho que posso dar é que façam aquilo que o vosso coração manda. Parece clichê mas é a mais pura das verdades.

 Até agora tem corrido bem e voltarei em breve para fazer novo ponto de situação já com o Pedro no seu novo ninho.



 Este registo foi tirado na sessão de gravidez pela lente do José Santos Photographer
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