31 maio 2019

Nova perspectiva de vida com a chegada de um bebé

 Há quanto tempo não nos víamos por aqui! Um dos motivos de peso para esse afastamento prende-se, também, com o título deste post.

 Nos últimos tempos tenho tido muito tempo para reflectir no que era a Ana antes do bebé e a Ana após o bebé. Ou pelo menos a Ana após o teste de gravidez positivo e 35 semanas de gestação.
 A maternidade é feita de fases, ou estágios se assim lhe preferirem chamar. Existe um processo evolutivo durante as 40 semanas de gestação durante as quais os futuros pais se preparam emocionalmente para o embate que é a chegada de um filho. Primeiro ponto importante: falar nos pais, é um trabalho a dois e uma caminhada que quando feita em conjunto torna tudo mais fácil. Muitas vezes as grávidas olham muito para o seu umbigo e esquecem-se da figura paternal que é igualmente importante e que também merece a nossa atenção. Segundo ponto importante: o embate emocional é sempre muito forte, seja um primeiro filho, um segundo filho ou até mesmo um quinto filho! Cada filho é um filho, cada gravidez uma gravidez.


 A partir do momento em que o teste de gravidez anuncia a chegada de um bebé o nosso chip muda. No meu caso mudou antes porque este filho foi planeado e havia algumas coisas a nível de saúde que precisavam ser medicadas e que essa toma fosse inofensiva para o bebé. Mas quando o teste dá positivo é uma alegria imensa que nos invade e queremos gritar aos sete ventos a boa nova. Queremos que toda a gente partilhe da nossa felicidade. Única coisa que me arrependo e que hoje faria diferente: esconder a notícia de família e amigos entre as 5 semanas, altura em que descobrimos que seríamos pais, e as 12 semanas, altura em que termina a fase mais crítica para o embrião. Se fosse hoje contava logo após a primeira consulta porque caso acontecesse algo sei que a família teria um papel fundamental a nível de apoio e motivação.


 O chip vai ficando enriquecido à medida que as semanas passam, que as ecografias mostram o bebé cada vez mais desenvolvido, que ouvimos um coração bater, que sabemos o seu peso e tamanho, que a barriga cresce. Sabemos que na nossa barriga existe um inquilino no seu majestoso T0 e que depende totalmente de nós. Essa é a maior mudança de todas, haver alguém que depende totalmente de nós. Sempre dependerá, mais ou menos. As escolhas do que comemos, o repouso, os hábitos saudáveis, tudo em prol do bebé. Ele é a personagem principal e a vida é ele que a comanda. A dele e a nossa.

 Quando damos a notícia sentimo-nos super importantes porque carregamos uma vida, porque temos dois corações dentro de nós. O facto de toda a gente se preocupar connosco é algo que nos reconforta, sentimo-nos as rainhas do pedaço. Até os olhares desconhecidos em direcção à barriga nos fazem sentir mesmo especiais.

 O nosso chip tem ainda uma função extra que se chama "relativizar" com uma sub-função que apelido de "filtro apurado". Tudo o que achávamos que tinha importância afinal não é assim tão importante quando comparado com o nosso filho. Tudo é relativo, tudo tem solução, tudo é menos importante que ele. Depois temos que ter um filtro muito apurado para aguentar tantas opiniões e tantos bitaites gratuitos que qualquer pessoa dá sem que sejam solicitados. Toda e qualquer mulher dá à luz e acha que é detentora dos melhores conselhos do universo. Calma mulherio, não há mães perfeitas nem filhos perfeitos. Se não vos pedirem a opinião simplesmente calem-se.
 Repararam na última frase? É a arte de dizer TUDO o que se pensa, consequência das hormonas da maternidade que são milhões de vezes piores que as hormonas femininas normais.

 Depois aprendemos a ver uma nova figura ao espelho, no meu caso nunca antes vista. E aqui o papel do Pai é fundamental para que a mulher se continue a sentir especial e atraente. Lembrar sempre que a questão física é uma questão temporária e mesmo que não seja isso significa que foram à guerra, ficaram com algumas marcas mas sobreviveram e são mães guerreiras, caramba!

 Nunca mais seremos dois apenas, seremos sempre nós três. E ele é o início de uma família, uma nova família. Quando nos casámos iniciámos o projecto de uma nova família mas esse projecto só ficará concluído no dia em que ele nascer. É a concretização de todos os planos de vida a dois.
 Até viajar será diferente. Não podemos ir onde queremos, vamos onde ele pode ir. Por isso os planos para voltar ao resort só para adultos da nossa lua-de-mel fica adiado até termos 55 anos e o puto já não queira viajar com os pais.

 Se muda alguma coisa com a chegada de um bebé? Muda tudo.
 Por isso digo, ainda antes dele nascer, que estou preparada para essa mudança radical. O tempo de gestação prepara-nos para a mudança mas só temos total conhecimento a partir do momento em que nos é colocado um ser no peito e quando o trazemos para casa. O processo de descoberta começa aí. E a felicidade absoluta também.


SHARE:

Sem comentários

Enviar um comentário

Blogger templates by pipdig