14 novembro 2015

Pray for Humanity

  Ontem a minha sexta-feira 13 não estava a correr da melhor forma (achava eu!) e fui dormir cedo. Não sem antes vos prometer pela página do blog que este fim-de-semana seria dedicado ao Anna. Pousei o telemóvel e fui dormir sem demoras.
 Hoje acordei com a energia no máximo e com mil ideias para fotografias e posts que poderia perfeitamente adiantar. Liguei a televisão na cozinha enquanto me preparava para fazer umas torradas e um galão. Oiço as palavras "atentado", "Paris" e "mortos". A torrada saltou e eu não ouvi, limitei-me a ficar ali parada em frente à televisão a tentar perceber o que se estava a passar. Era um choque demasiado grande para quem acaba de acordar. Não me consegui conter e chorei. Chorei pelas vidas perdidas e chorei pela Humanidade (ou falta dela) e naquilo em que o Homem se tornou.
 Fiquei abalada porque estive em Paris recentemente, como tive oportunidade de partilhar com vocês, e foi uma cidade que me conquistou. A cidade e sobretudo as pessoas. Não conheço o Mundo inteiro nem nada que se pareça, mas nunca senti tanta nostalgia por um lugar como senti, e continuo a sentir, por Paris. Quando regressei a Portugal senti falta de sair à rua e dar de caras com a grandiosa Torre Eiffel. Senti falta e continuo a sentir. Tento explicar ao André o que continuo a sentir em relação a Paris mas acho que nem ele me consegue entender. Talvez tenha encontrado a cidade dos meus sonhos, aquela que não me fez ter saudades de casa. Aquela que me acolheu como se fosse a minha cidade. As ruas onde passámos vezes sem conta e os olhares se erguiam à procura daquela que foi sempre a nossa referência: a Torre Eiffel. Foram os melhores dias da minha vida. Fui muito feliz e tenciono voltar uma e outra vez.

 O que hoje aconteceu é gravíssimo. Não foi porque foi em Paris, foi e é gravíssimo porque são vidas que estão em jogo. E porquê? Pensei nisso durante todo o dia e confesso que isto me absorveu por completo. Pensei se deveria ou não escrever este post, sei que as opiniões divergem e que vêm logo com sete pedras na mão atacar. Felizmente a mim ainda é com palavras, as vítimas do Charlie Hebdo pagaram com a vida. Pagaram com a vida por satirizar o profeta Maomé e deixaram a França no top dos alvos a serem atacados pela religião desenfreada que é o "Daesh".
 Há os que rezam, os que dizem que rezam e os que abominam estes actos desencadeados pelas redes sociais. Acham que é moda a utilização da hashtag #PrayforParis e não tem sentido. Há tanta coisa no Mundo que não tem sentido e estão preocupados porque as pessoas usam determinada hashtag? Hoje foi Paris, Em 2001 foi Nova Iorque, em 2004 foi Madrid, aqui mesmo ao lado! Amanhã podemos ser nós, o que nos separa da França é Espanha. Rezo como sei, como aprendi. Rezo da forma que acho que aquele Deus em que eu acredito me entende. Acho que de certa forma Ele nos entende a cada um de nós de maneira diferente. Rezo por Paris, que podia ter sido qualquer outra cidade no Mundo, mas rezo sobretudo pelas vítimas. É isso que importa: a vida humana. Vidas essas ceifadas pelo radicalismo de uma suposta religião que permite e até incentiva a que se mate e haja a vingança. Mas existem os radicais e os não-radicais. Aqueles que temos que respeitar por terem escolhido a religião muçulmana. Tal como respeitamos os ateus, os budistas e todas as outras religiões espalhadas pelo Mundo. Respeito: é isso que o radicalismo não entende o significado. A ira de vingar o Profeta cega-os de raiva pelo Ocidente e querem espalhar o medo e o terror. Não é a religião que é má, são as pessoas que a encaram de forma extrema.
 Eu não sou hipócrita e não rezo a Deus só quando quero pedir alguma coisa. Todos os dias agradeço estar viva e, sobretudo, por viver num cantinho tão sossegado como é o nosso país. Hoje vi as imagens e rezei pelas vítimas e pelas suas famílias. Rezei pelos parisienses por achar que isto foi só um aviso. Agradeci, de forma egoísta, por não ter acontecido nos dias em que estive na cidade. Rezei muito para que nunca tenhamos que viver uma situação destas.
 O que aconteceu ontem é desolador. Ver pessoas a fugir e a ter que deixar pessoas para trás prestes a serem fuziladas. O desespero de alguém que se pendura nas janelas como forma de escapatória à morte anunciada dentro daquela sala de espetáculos. Pessoas que se fingiram de mortas e viram pessoas esvair-se em sangue ao seu lado. Um cenário macabro e todas estas pessoas eram inocentes, só queriam divertir-se numa sexta-feira à noite.

 Temo o que vem a curto-prazo. O Mundo mudou no dia 11/09/2001 e não esqueço esse dia, ninguém esquece. A Europa começa a ser fortemente cercada e, geograficamente, é um alvo muito fácil. A França prepara-se agora para retaliar e vingar, de forma legítima, a morte daquelas 129 pessoas e das largas dezenas de feridos. O que vem aí? O que podemos esperar? Ninguém sabe e é essa incerteza que me deixa inquieta e preocupada. Só quem não tem coração pode ficar indiferente a uma carnificina desde género. Eu rezo por Paris, pelos Parisienses que perderam as suas vidas, pelas famílias, por todas as vítimas do Mundo que caem nas mãos destes loucos. Eu rezo por todos nós, para que nunca tenhamos que passar por isto!


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2 comentários

  1. Bom dia Ana,
    Gosto muito de te ler e a forma fluente como escreves. Faço minhas as tuas palavras e o meu maior medo é que este seja o início de uma nova guerra!
    Tenho medo, muito....
    MR💗

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    Respostas
    1. E eu M., desde ontem que sinto um medo terrível que isto acabe mal.
      Quando estou preocupada/apavorada/receosa dá-me para escrever, mais do que o habitual. Tenho que deitar tudo cá para fora.

      Beijinho e bom Domingo!

      Ana

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