07 outubro 2015

Salto Tandem 4200 metros *Skydive Portugal*

 Pensei muito antes de escrever este post. Pensei se seria um post maçudo para vocês porque aquilo que vos quero mostrar não se mostra em duas ou três fotografias. Aquilo que vos quero contar não é fácil de transmitir em palavras. Mas vou tentar. Poderia até não dizer nada porque vocês iriam entender que o meu sorriso rasgado é consequência da fantástica experiência que a Skydive Portugal me proporcionou.

 No passado dia 20 de Setembro realizei um sonho que tinha há imenso tempo. Só não o tinha feito antes porque não tinha conseguido convencer alguém a saltar comigo. Mas, era uma coisa que queria tanto, que já estava até disposta a saltar sozinha, apesar de achar importante ter alguém ao nosso lado na viagem até aos 4200 metros. É um conforto, uma motivação e sabe bem melhor.
 O salto estava marcado para as 8h, preferi saltar cedo para poder desfrutar da sensação ao longo do dia. Não estava propriamente nervosa para o acto de loucura que estava prestes a cometer. É preciso coragem? É. É preciso gostar de adrenalina? Completamente. Foi a experiência mais alucinante da minha vida e a qual não vou esquecer nunca? Sem dúvida alguma!
 Um pouco antes das 8h lá estávamos nós no Aeródromo de Évora (eu estava completamente em casa). Fomos super bem recebidos por toda a equipa da Skydive Portugal e isso fez toda a diferença. Pessoas que nos transmitem segurança e profissionalismo, que fazem com que cada segundo seja especial e esta seja a melhor experiência de todas. Em primeiro lugar preenchemos uma ficha de inscrição (a inscrição é feita através do site mas no dia temos que preencher um papel.) , um género de termo de responsabilidade. Esta actividade tem os seus perigos como todas as actividades radicais e é preciso estar ciente de todos eles. Desde que chegámos até que entrámos no avião demorámos 15 minutos. Vestir o fato, colocar o arnês e  uma explicação breve das posições que teríamos que adoptar à saída do avião, aquando da queda livre e da abertura do pára-quedas.
 Confesso que foi tudo muito rápido e não tive tempo sequer de ter medo ou ficar mal disposta. Estava ali e ia cumprir aquilo que tinha prometido a mim mesma. Desistir não faz parte de mim e só ia parar quando aterrasse no chão. O ambiente durante a viagem de avião é super descontraído e tanto o Faustino como o Arlindo têm uma boa disposição contagiante que nos fazem esquecer os medos e inseguranças. Somos seres humanos e temos as nossas fragilidades, é perfeitamente normal. Eu tinha receio de vomitar, desmaiar e não conseguir saltar por medo. Tinha medo de ter um treco à saída do avião. Mas juro que na hora H não pensei em nada disso.
 Quando a porta do avião abre sentimos um friozinho na barriga. Sabemos que a hora se está a aproximar e já não podemos voltar atrás para tomar um chá de camomila para acalmar. A adrenalina começa a correr nas veias quando sentimos o barulho ensurdecedor quando a porta se abre, a 4200 metros do chão. Ouvimos os ganchos a prender-nos ao instructor e a partir daquele exacto momento somos apenas um. Colocamos um pé do lado de fora do avião e depois o outro. O vento baralha-nos um pouco o sistema e sabemos que está quase, é uma questão de minutos. Sabemos que está quase mas não sabemos quando o instructor vai largar o avião e nos vamos atirar de cabeça. Literalmente.

É agora, o último sorriso para a câmara!

Caramba, caí 2 segundos em queda livre e dei um mortal no meio do céu, já sem sinal do avião. Por momentos tive receio que a torrada sem manteiga que tinha comido às 07h para aconchegar o estômago não resistisse a tamanha adrenalina. A queda livre nada tem a ver com aquilo que eu imaginava. É a maior sensação de liberdade alguma vez alcançada. Estamos ali a cair a mais de 250 km por hora e parece que a terra não se aproxima. Olhamos à volta e esquecemos que temos uma câmara a olhar para nós. A paisagem é arrebatadora e conseguimos mesmo perceber que a Terra é redondinha e perfeita. Foram os 55 segundos mais intensos da minha vida.

O pára-quedas abre ao fim de quase um minuto. Ah pois, já me tinha esquecido que havia um pára-quedas e que era suposto abrir. Missão cumprida, o pára-quedas abriu e já não vou cair estatelada no chão. O impulso que a abertura do pára-quedas dá é uma aconchego à nossa alma. O que mais me surpreendeu foi o silêncio e a vista da minha cidade. Não conseguia parar de rir, a boca era pequena demais para o tamanho do sorriso que eu queria dar. Que felicidade, que bom sentir a adrenalina a correr nas veias.

 Aterramos e chegamos ao fim do voo das nossas vidas. Percebemos porque cantam os pássaros e a felicidade que sentem por voar todos os dias. As pernas não tremiam mas o coração queria saltar de tão feliz.

 "Podemos voltar lá para cima?", pergunto eu ao Faustino. É uma experiência a repetir muitas e muitas vezes mas o primeiro salto será sempre o primeiro.

 Um obrigado gigante à equipa da Skydive Portugal, em especial ao Faustino por termos aterrado em segurança. Fizeram parte de um dos dias mais importantes da minha vida.
 Obrigada ao André por ter feito parte desta experiência e ter embarcado nesta minha aventura.














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9 comentários

  1. Adorei o texto.
    Muito bem escrito e tu o salto!
    Sem dúvidas nenhumas...
    Eu não seria capaz!😋

    MR💗
    Blog Saga da Emigração

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    1. Fico feliz que tenhas gostado! Parece que consegui transmitir da melhor forma aquilo que senti. :)

      Beijinho,
      Ana

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  2. Deve ser fantástico mas confesso não ter tamanha coragem! :P
    Beijinho
    Cris

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    1. A coragem surgiu porque alguém saltou e me conseguiu cativar com as palavras. Foi assim que ganhei curiosidade. Foi das melhores decisões que tomei na vida. :)

      Grande beijinho,
      Ana

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  3. As fotos estão fabulosas! Um post excelente. Parabéns pela coragem, eu nem que me pagassem;)
    Beijinhos da Ana

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    1. Muito obrigada Ana!
      Foi precisa coragem e o primeiro salto será sempre o mais mágico. Para o segundo já sei ao que vou. ehehe

      Beijinho,
      Ana

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