05 maio 2015

Porque temos o dever de fazer o melhor por nós

  No outro dia dei por mim a folhear o livro da Jéssica Athayde na livraria. Às vezes temos uma ideia errada das pessoas e aquela que tinha em relação à Jéssica alterou-se completamente aquando do mediático desfile da actriz para uma marca de biquinis. Lembro-me que na altura respondeu muito bem às críticas que lhe foram apontadas, a ela e ao seu corpo. É terrível para uma Mulher ser alvo de críticas tão duras e num estalar de dedos entramos em depressões e batemos no fundo. A sociedade aponta o dedo e é exímia nessa função. Não são só as pessoas com peso a mais que são alvo de comentários, eu sempre fui criticada por ser magra. O que sempre notei foi que as pessoas com auto-estima em baixo tinham necessidade de me mandar para o fundo. Era porque não tinha peito, ou porque tinha as pernas magras, porque comia pouco às refeições, etc etc etc. Felizmente sempre convivi muito bem com a imperfeição do meu corpo e sou feliz com o que tenho. Essa é a base da auto-estima: sermos perfeitas para nós, o resto não interessa. Os resultados para um corpo "quase-perfeito" são originados por opções que tomamos.
 O que me chamou mais a atenção no livro da Jéssica, "Não queiras ser perfeita mas faz o melhor por ti" foi o facto de abordar o tema da ansiedade. Aprendi a controlar os ataques de ansiedade e há dois anos que não me atormentam. É importante referir que a ansiedade se manifesta nas mais variadas formas e depende de cada pessoa. No meu caso começavam sempre com dificuldade em respirar e um aperto no peito. À medida que o ataque ia aumentando de intensidade o coração batia forte no peito, quase que saía para fora da boca. Não demoravam mais de 2 a 3 minutos, mas eram os minutos mais longos da minha vida. Quase sempre eram originados em situações de stress: enquanto esperava por uma consulta médica, quando tinha mais trabalho, quando tinha reuniões ou auditorias importantes. Normalmente aconteciam em público e eu tinha um medo tremendo de ter um ataque de loucura. Não conseguia fazer os movimentos de respiração normais e parecia que ia colapsar.
 Como é que consegui controlar? Devo-o em grande parte à Homeopatia e Acupuntura. Comecei por frequentar tratamentos relacionados com a Homeopatia e depois passei para a Acupuntura. Mais tarde comecei a utilizar a mente para me focar no que realmente importa. Sempre que começava a ter um ataque começava por ordenar ao cérebro que desviasse a atenção para outras coisas: uma música que tocava, uma televisão que estivesse ligada. Quando não tinha nada por perto para me distrair pegava no telemóvel e ligava a alguém. As pessoas a quem ligava nunca souberam a razão de lhe estar a ligar, se soubessem era pior. Nestas situações palavras como "tem calma" ou "já passa" têm um efeito contrário.
 A ansiedade não é um bicho de sete cabeças e deve ser encarada com naturalidade. Existem pessoas que têm frequentemente, outras apenas experienciaram um ataque uma única vez e ainda há aquelas pessoas que sofrem de ansiedade e nem sabem. Acham que é depressão e acabam por agravar a sua situação com dramatismos.
 Revi-me em cada página do livro da Jéssica, à excepção da alteração de peso porque sempre fui magra e nunca passei disto. Tal como ela, também a ansiedade me levou ao hospital. Foi a última vez, o último ataque. Cada vez que me lembro dos calmantes injectáveis a entrarem nas minha veias arrepio-me com as dores que aquilo me causava. Chorei com dores no braço, parecia que ia explodir a cada movimento de pressão na seringa. Naquela mesma cadeira no Hospital prometi a mim mesma que havia de controlar a danada da ansiedade, não era ela que me ia controlar a mim.
 Admiro ainda mais a Jéssica pela exposição de detalhes tão privados da sua vida nas páginas do seu livro. Acredito que não seja fácil passar para papel situações desse género. Acredito que muitas pessoas se vão rever naquelas linhas e alterar a forma de pensar e sobretudo agir com o seu corpo.

 Para além do tema da ansiedade, aquilo que acho mais importante e uma das mensagens subjacentes ao longo do livro, é o facto de que uma alimentação saudável NÃO É para PERDER PESO. Ponham isso na vossa cabeça! Quantas vezes oiço coisas do tipo "comes coisas saudáveis para quê? Para desaparecer?". Oh santa ignorância.

 Resumindo, gostei imenso do livro da Jéssica e recomendo a sua leitura a pessoas que não se sintam confiantes com o seu corpo e que acham que não podem fazer mais nada por vocês. A resposta está diante dos vossos olhos, vocês é que não querem ver! A fórmula secreta (que não é tão secreta assim) é uma alimentação saudável, a prática de exercício físico e outras formas para ajudarem o vosso corpo e mente a relaxarem: dança, yoga, pilates, meditação, etc.


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2 comentários

  1. Pronto! Convenceste-me! Acho que já tenho que ler no fim de semana. E émesmo isso: comer saudavel não é sinal de dieta para emagrecer, assim como fazer exercício.

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    Respostas
    1. Vais gostar Ana, tenho a certeza! Depois diz-me o que achaste.

      Beijinho e um óptimo dia :)

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