24 abril 2015

Aquele dia em que decides mudar

 Há um dia em que acordas e achas que vai ser um dia completamente normal. Fazes as tuas rotinas e nada te parece dizer que o teu dia vai mudar de alguma forma. Sabes que vais trabalhar, que vai chegar a hora da preguiça a meio da tarde e sabes que vais voltar para casa e encontrar tudo igual. Isso é o que tu sabes. Isso é o que tu julgas saber.
 Um dos grandes problemas é pensarmos que sabemos tudo. Outro problema ainda maior é julgar que temos tudo perfeitamente controlado. Andamos e levamos os nossos limites quase a roçar o máximo. Achamos que somos feitos de ferro e que aguentamos 12 horas de trabalho, mais trabalho em casa e todos os outros afazeres do nosso dia-a-dia. Continuamos a achar. Continuamos a forçar e a lutar contra o contexto que nos envolve. Catalogamos as doenças e os problemas por idades. Achamos que é impensável alguém novo ter problemas de hipertensão arterial. Eu também julgava que era uma doença de gente mais velha. Aos 20 anos bateu-me à porta, chegou de mansinho. As dores de cabeça não desapareciam e eu sabia que não era da graduação das lentes porque tinham sido mudadas há um mês. De onde vinha? O que era? Pensei na pior hipótese possível, mentalizei-me que poderia não haver volta a dar. Depois de vários exames, a cada milímetro do meu corpo descobriu-se que era Hipertensão Arterial. Aceitei e não resmunguei. Podia gritar e zangar-me e perguntar porque tinha que me acontecer a mim, tão jovem. Tinha que acontecer porque já tinha trazido essa herança desde que vim ao Mundo. Aceitei bem o problema e comecei por procurar respostas para a cura. O que mais me custou foi ser vista como uma "coitadinha", uma desgraçada que já tem uma doença para o resto da vida. "Tadinha!" fazia parte dos meus dias e os nervos enrolavam-se uns nos outros. É palavra que não suporto e não sei lidar bem com o sentimento de pena.
 Por se tratar de uma doença crónica não existe cura, apenas formas de apaziguar a maldita. Para além da medicação a prática de exercício físico é muito importante e a correcta alimentação com a abolição de sal e fritos. Praticamente cozinho sem sal e já me habituei a condimentar a comida com ervas aromáticas. É tudo uma questão de hábito e sobretudo consciência.
 Depois comecei a trabalhar e com a azáfama acabei por me "esquecer" um pouco da Hipertensão. Andava bem disposta e apenas trazia um enorme cansaço psicológico comigo. Numa consulta desta semana a médica coloca-me o aparelho de medir a tensão. Sinto o coração latejar no braço enquanto o ar bombeia para dentro do aparelho. Oiço um "pi-pi-pi" acelerado e desenfreado. "Mas aquilo é o meu coração ou de um cavalo?".

 "A menina está a sentir-se bem? Não está mal disposta nem lhe dói o peito?"

 "Estou ótima, sinto-me normal"

 "A sua tensão está a 12 de mínima e 18 de máxima. Corre o sério risco de ter um AVC a qualquer momento se não tratar de si."

 Aqui está a prova que é uma das doenças mais silenciosas e também mais mortífera. Estava em condições favoráveis para a ocorrência de um AVC ou enfarte e estava no meu estado normal. Não havia o mínimo indício que alguma coisa poderia estar a ocorrer no meu corpo.
 É quando me dizem que, aos 27 anos, posso ter um AVC a qualquer momento que a ficha me cai. Sou a minha pior inimiga e não fazia a mínima ideia. Estava tudo perfeitamente descontrolado e eu achava que estava a fazer o melhor para mim. É aí que percebo que se não fizer nada para contornar a situação estou a criar uma bomba relógio dentro de mim. O rastilho está aceso. O stress, maus hábitos, má alimentação e não praticar exercício físico fazem o rastilho queimar muito mais depressa.
 É isso que fazemos com a nossa vida, todos os dias. Existimos, não vivemos. Achamos que estamos bem mas podemos estar ainda melhor, podemos ter mais qualidade de vida. A decisão está nas nossas mãos.
 Vemos a vida a passar-nos à frente dos olhos e percebemos que ainda não concretizámos metade dos nossos sonhos. Percebemos que amamos demais os que estão à nossa volta para pensar no sofrimento que seria se nos perdessem.
 Vou cuidar de mim, tenho essa obrigação para comigo e pela imbecil que fui nos últimos anos. É num minuto e com meia dúzia de palavras que percebes que a vida é muito mais que existir. A partir de agora vou manter a abolição do sal na cozinha, vou fazer uma alimentação mais saudável e praticar mais exercício físico. A medicação vai acompanhar-me até ao fim da minha vida e é bom que nos tornemos as melhores amigas.
A Hipertensão é um problema grave se não for diagnosticado a tempo. Não escolhe idades e não escolhe géneros. Qualquer um está vulnerável a esta doença que pode ser fatal se não for encarada com seriedade e consciência devida. Olhem pela vossa saúde e façam check-up´s com regularidade junto do vosso médico de família. Adoptem um estilo de vida saudável e façam o melhor por vocês porque um dia pode ser tarde demais. Para além da hipertensão, o colesterol é um dos grandes responsáveis por doenças do foro cardíaco e aumenta as probabilidades de vir a sofrer um AVC ou Enfarte de miocárdio.
 Ontem era o melhor dia para mudarem a vossa vida. Se ontem não o fizeram então que seja hoje! Não esperem pela próxima Segunda, pelo próximo mês ou para depois das férias de Verão. Valerá a pena arriscar tanto?


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6 comentários

  1. Ufffff...... Caganda balde de água fria. Felizmente ainda não fui presenteada com um diagnóstico desses apesar de, por motivos familiares, ser seguida regularmente. Trata de ti!

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    1. Pois eu tive o primeiro contacto muito nova Ana! Infelizmente era muito nova para perceber as consequências que isso poderia ter na minha vida e deixei andar. Já ando a tratar de mim, a única coisa que tenho que introduzir na minha rotina é o exercício físico. Tudo o que tinha que sair já foi embora.

      Beijinho e boa semana

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  2. Cuida-te querida!! Nao e algo facil mas n es a primeira Mesmo sendo novinha! Tens e de controlar.

    Nao sabia q usavas lentes. Mensais ou diarias? Colocas 1.o as lentes e maquilhas-te depois, n e? Obgda. Bjs

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    1. Olá Raquel,

      Não é um assunto fácil mas tem que começar a ser encarado com naturalidade por parte das pessoas mais novas. Hoje em dia, devido à vida que levamos, os problemas surgem mais cedo.

      Sim, uso lentes diárias porque são mais higiénicas. Quando utilizava lentes mensais fazia conjuntivites com muita frequência, mesmo com todos os cuidados de mudança de líquido e etc. Por norma coloco as lentes primeiro e maquilho-me depois. Há dias em que os olhos estão mais sensíveis e assim que as coloco começo a lacrimejar, não convém estar já maquilhada. ehehe

      Beijinho

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    2. Eu sei que não é de todo um assunto fácil, não é mesmo. Mas vejo pela minha cunhada, agora com 40 anos mas que começou aos 20 e poucos com o problema e toma, obviamente medicação, e tem de controlar. Vai tudo correr bem!! Continua com esse espírito que é mais de meio caminho andado para atrair mta saúde! :)

      Eu usei lentes mensais cerca de 6 anos… no entanto, dado ao uso frequente de computador (é a minha principal ferramenta de trabalho), comecei a sentir-me bastante incomodada, desenvolvendo síndroma de olhos secos. Detesto usar óculos e uso lentes diárias ao fim-de-semana. Uma vez, numa blogger brasileira, vi a sugestão de colocar as lentes depois da maquilhagem mas achei esquisito e pronto, tive a curiosidade de te perguntar! :)

      Beijinhos, tudo de bom!***

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    3. Felizmente os meus olhos produzem muita lágrima natural e nunca secam. Eu detesto os óculos, detesto lentes e estou à espera de ser operada para cortar o mal pela raíz (já fiz os testes e a minha córnea tem boa profundidade para tolerar o laser, ao menos isso!).

      Eu costumo dizer que cada blogger tem a sua mania e a sua forma de ver as coisas. Quase todas colocam o corrector de olheiras antes da base e eu coloco sempre depois. Como os meus olhos choram sempre um pouco quando meto as lentes prefiro não arriscar e borrar a pintura. ehehe

      Beijinhos!

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