28 novembro 2014

A crise de valores





  Normalmente não sou uma pessoa de desabafos. Ou melhor, os dedos de uma mão chegam para contar as pessoas com quem desabafo e ainda sobram dedos. Ao longo dos anos aprendi (da pior maneira, claro) que temos que fazer um esforço para pensar se devemos ou não falar e com quem devemos falar. Aprendi a "ler" as pessoas e a perceber logo no primeiro contacto até onde posso ir e só digo o essencial. Aprendemos sempre com os nossos erros e é para isso mesmo que eles servem, para tirarmos lições do que podemos e não podemos fazer futuramente. A maior lição que pude tirar foi que façamos aquilo que fizermos nós seremos sempre julgados, criticados e vão sempre apontar o dedo. É por isso que faço o que me apetece e não dou ouvidos a críticas destrutivas. Vão sempre criticar-nos por sermos gordos, magros, tímidos, tagarelas, que temos a mania, que somos vaidosas, que somos altos, baixos. Depois no fim, quando partimos deste Mundo toda a gente diz "Ah, era tão boa pessoa!"
 A crise de valores veio para ficar e está a dominar cada vez mais pessoas, está a tornar-se algo viral. A falsidade e a hipocrisia encontram-se no topo da lista e muitas vezes vem de onde menos esperamos. Por vezes estamos preocupados com os inimigos e esquecemo-nos dos amigos que dão palmadinhas nas costas e te tratam por "querida", "linda" ou "amiga". É precisamente daí que surgem as facadas mais certeiras, as maiores desilusões e também as maiores lições.
 Como alguns devem saber estes últimos dias têm sido complicados para mim porque tive a minha cadela Becky no Hospital Veterinário com um grave problema. Começou com grandes perdas de sangue e o pânico instalou-se porque pensei que a iria perder. Estava ciente que o coração dela era fraco para aguentar uma operação para remoção de útero e ovários. Confiei na veterinária e decidi arriscar, tinha que fazer tudo o que estava ao meu alcance para a salvar. Foi a melhor decisão que podia ter tomado. Já foi operada, está em casa e está bem disposta.
  Pensei que hoje nada iria estragar o meu dia porque estava contente por trazer a minha miúda de volta para casa. Acreditem que vê-la numa jaula super assustada me deixou sem vontade de fazer nada, foram noites em claro e não tinha apetite algum. Só quem tem animais percebe. Mas as surpresas acontecem e ouvimos barbaridades de pessoas que até julgamos serem nossas amigas. Pois bem, houve alguém que teve a coragem de dizer que eu devia estar a nadar em dinheiro porque o meu "Lulu" estava doente e eu o levei imediatamente para o Hospital Veterinário que é caríssimo. A hipocrisia maior é que essa pessoa me perguntava de manhã e à tarde como é que a Becky estava. Eu fui criticada por prestar cuidados à minha cadela, é surreal. Para agravar a situação, não sei se ela viu o meu extracto bancário para pressupor que eu estaria a nadar em dinheiro. As pessoas focam-se demasiado no dinheiro e não entendem, por nada deste mundo, que há coisas que não têm preço. Uma das coisas que não tem preço é ser recebida todos os dias pela minha cadela com entusiasmo e lambidelas que nunca acabam, é o olhar dela que transborda de felicidade por me ver novamente. Isso não tem preço e todo o amor que ela me dá também não. Por ela faria tudo, tal como fiz com todos os meus cães, e ia onde fosse preciso. Foi esse o compromisso que assumi quando a escolhi como membro da família: dar todo o amor e carinho, que nunca lhe faltasse comida e cuidados de saúde e que estaria ao lado dela até ao último suspiro. Isso nenhum dinheiro paga e quando as pessoas começarem a ver para além do dinheiro talvez percebam que existem coisas que nos trazem muito mais alegria.
 Por vezes perguntam-me onde estacionei a nave porque não sou deste planeta (pelo facto de ser muito bem disposta, optimista e quando estou num bom dia deixo toda a gente a rir) e eu começo a convencer-me que não me encaixo neste planeta, nestes valores, nesta ideia de hipocrisia e falsidade por toda a parte. Hoje fui julgada e criticada por tratar o meu animal de estimação com dignidade e respeito. Fui criticada por ser aquilo que toda a gente exige, para todos os animais: fui uma boa dona. Vou levar a minha "Lulu" ao veterinário as vezes que forem precisas, vou levá-la ao melhor Veterinário, vou comprar-lhe a melhor comida e vou dedicar-lhe mais tempo. Ela merece o meu tempo e o meu respeito porque nunca me faltou e nunca me traiu. Vai ser fiel do primeiro instante em que colocou as patas nesta casa e até que saia. Faço tudo isto pela minha cadela, por muitas pessoas já não posso dizer o mesmo.


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4 comentários

  1. Adorei Ana, é mesmo verdade tudo aquilo que dizes.

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    1. Infelizmente é verdade Ana! Tudo podia ser diferente se não houvesse esta falsidade constante a pairar sobre as nossas cabeças. Hoje em dia temos que desconfiar se as palmadinhas que nos dão nas costas são sinceras ou se estão a "apalpar terreno" para a próxima facada.

      Beijinhos

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  2. Ora.... Há demasiado destilar de veneno por aí e cada vez me assusto mais com isto. Sempre tive cães e por isso, entendo perfeitamente o "vamos tratar disto, dê por onde der". Os animais de companhia - para mim, os cães, que não sou nada Cat woman - merecem tudo. Ponto. Agora o resto... Se não fosse o cão iam ser as botas que parecem novas e afinal têm três anos; ou o facto de teres metido 30 euros de gasóleo em vez dos 10 do costume. É isto que me assusta: a facilidade com que os outros comentam e criticam sendo sempre os últimos a olhar para dentro da própria casa. Ciúmes? Inveja? Talvez. Tal como tu, aprendi que a vida é para ser vista pelo lado mais positivo e - por causa dos 40, esse bastião do bilhete de identidade - a dar-me ao luxo de mandar bugiar quem merece. Não percebo este desporto nacional que é o dizer-mal-porque-sim. Exemplo: Eu odeio a Cristina Ferreira. No entanto, a rapariga vende-se - demais para o meu gosto - e faz o trabalho dela. Se tem nível para estar numa barraca de bifanas ali na Feira da Malveira? Definitivamente, mas não é por isso que a critico, que falo dela. Melhor. Usando uma expressão bem portuguesa (e desculpa lá o desabafo, mas já sabes sou Ana e não seguro a língua), caguei!A melhor maneira de demonstrar que não quero saber é ignorar. Passar à frente. Se a invejo porque tem um blog xpto com resmas de visitas? Pois sim, mas que posso eu fazer se não tenho a máquina que ela tem? Por causa disto, cada vez acredito mais na justiça divina - Oh e que alegrias me tem dado! Caguei e pronto. Estás cá, apoias-me, ajudas-me? Muito bem, vamos embora! Não é para aí que estás virada? Então vai à tua vida que eu trato da minha.
    Só para terminar, a história de deitar para trás das costas aquilo que nos intoxica e que nos enerva (oh senhores, e se nos enerva) é dificil de fazer mas vai-se lá. A nós sabe-nos pela vida - tu és Ana, tu sabes ;) - e a quem ficou para trás dá uns problemas de fígado do diabo!! Beijinhos!!

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    1. Não podia concordar mais contigo Ana (as Anas entendem-se às mil maravilhas!). Hoje em dia temos que nos descartar daquilo que faz mal, que nos contamina e não é difícil, não me venham dizer que é díficil dar um pontapé no cagueiro a alguém. Partilho da tua opinião em relação a essa senhora de voz esganiçada que tem um batalhão que lhe escreve uns textos bonitos para o blog. (ora bolas, isso pode ser considerado ter um blog ou dar o nome a um blog?). Muitas vezes perguntam-me porque me calo em relação a certas situações e sei que querem dizer "calas-te porque és fraca". Não é uma questão de fraqueza mas sim de inteligência. Para pessoas com falta de valores o melhor remédio ainda continua a ser o desprezo, ficam danadas quando não têm uma resposta, quando não há uma continuação da conversa desnecessária. Não fui criada em ambientes mesquinhos, sempre aproveitei o tempo livre a viver a minha vida e não a vida alheia.
      Essa das botas com três anos que perguntam se são novas é bem verdade Ana. Eu respondo sempre "Olha tens que prestar mais atenção para os meus pés e não dar tanta atenção às malas, estas botas são mais velhas que sei lá o quê mas existe uma coisa muito gira que se chama estimar e nisso nem toda a gente é boa". Há pessoas que conhecem melhor o meu roupeiro que eu. Já eu, podem vestir a mesma camisa uma semana ou andar com calças pretas todos os dias que eu não estou para aí virada! Bom fim-de-semana e um grande beijinho ;)

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