13 outubro 2014

Até já companheiro!

 Este fim-de-semana o Nikki, o meu Husky de 14 anos, partiu deixando uma tristeza imensa nos nossos corações. Não posso mentir, eu já estava mentalizada que isto iria acontecer a curto prazo. Mas uma coisa é chegar à conclusão que um dia eles vão partir, outra completamente diferente é quando eles fecham os olhos e dão o último suspiro e percebemos que nunca mais vamos ter a presença deles.
 Chorei como se de uma pessoa se tratasse porque era isso que ele significava para mim. Era como se fosse uma pessoa que me compreendia e me queria fazer feliz (cumpriste esse papel na perfeição). Quem não tem animais ou nunca teve não consegue compreender estas linhas que escrevo pois nunca tiveram a oportunidade de conhecer o amor na forma mais verdadeira. São os amigos que estão sempre lá, que nos recebem com uma alegria imensa ao final de um dia de solidão. Não pedem muito, não são exigentes e contentam-se com pouco.

  O olhar que me derretia.

 Os teus olhos azuis da cor do céu fecharam-se e eu não poderei contemplar tamanha beleza, nunca mais. Parecia que me sorrias quando te dava um miminho daqueles que tu gostavas, os teus saltos mostravam a força que tu tinhas e a loucura que te era característica. E agora? Quem me vai receber com gemidos ensurdecedores até receber o primeiro mimo? Tu não ladravas e nunca ladraste, acho que esse foi o primeiro sinal de que eras tremendamente doce. Os teus gemidos eram únicos e tão engraçados.

Sabes quantas vezes me fizeste sorrir?

 Foram tantas e tantas que não consigo quantificar. O teu ar em pequenino era tão alucinado que não me foste indiferente. Parecias um ouriço com o pêlo espetado e isso dava-te um ar de reguila, como eu tanto gosto. Os teus gemidos loucos para chamar a minha atenção chamavam também a atenção dos vizinhos. Eles sabiam quando eu chegava a casa. E a forma como tu comias os iogurtes? Os teus preferidos eram da Activia e tinham cereais. Eras esquesito, seu malandro!

Aquela noite em que pensei que nunca mais te iria ver.

 Estava em Lisboa quando recebi a notícia que tinhas fugido. Não me lembro de alguma vez ter feito uma viagem em tão pouco tempo. A loucura de pensar que nunca mais te iria ver, não saberia onde estavas ou se alguém te apanhava e te tratava mal fez com que eu começasse a ter visões de Nikkis ao longo da auto-estrada. Tratei de arranjar reforços para te procurarem na zona. Acho que agradeceste à Ana pela ajuda quando lhe deste um beijinho. Quando te encontrei, já ia longa a noite, estavas imundo e cheiravas tão mal... Ainda assim abracei-te com todas as minhas forças e jurei que da próxima não havia abracinhos para ninguém!

Sabes quantas vezes me desarmaste com a tua doçura?

 Todos os donos dizem que os seus cães são os melhores do mundo, os mais espertos e os mais obedientes.  Nunca foste obediente e era esse teu lado de fora-da-lei que me apaixonava. Eras como eu, não querias regras e queria viver a tua vidinha descontraída. Mas uma coisa posso garantir: foste o cão mais doce que já conheci. Nunca rosnaste a ninguém, nem a outros cães e tinhas uma amizade especial por gatos com quem dividias a comida. Deixavas os pássaros saltitarem por cima de ti enquanto dormia as tuas sestas ao sol. Não tinhas maldade e esse teu lado fazia-me perceber que tinhas muito de mim, tal como eu tinha tanto de ti.

Missão cumprimada companheiro!

 Os anos passaram e as tuas patas traseiras já não davam saltos tão altos. Apesar de toda a ginástica que fazias e do muito que corrias os teus ossos começaram a ficar fragilizados - tal como a tua mãe Sasha e a mana Niska. Quando iamos passear já não me puxavas com toda a tua força até eu ficar com feridas de segurar a tua trela. Caminhavas lado a lado e não querias correr como se não houvesse amanhã. Percebi que já não tinhas a visão de antes quando começaste a chocar comigo. Cumpriste bem a tua missão meu querido, foste o melhor cão que eu podia ter tido e deixaste muito de ti em mim. Só tenho pena que o teu tempo de vida não seja mais longo, como o meu, para continuares a ser o meu fiel companheiro, o meu crazy dog. Lembro-me de ti já cansado e a lutares para me presentear com mais um tempo da tua presença. Dava tudo para ver um salto teu agora, receber os teus beijos e abraçar-te forte. Hoje o meu dia acordou mais triste mas com a certeza que fui boa dona e sempre te tratei bem e é isso que apazigua a minha dor. O resto só o tempo me pode ajudar.

Até já Crazy Dog!







SHARE:

Sem comentários

Enviar um comentário

Blogger templates by pipdig